Para muitos
corredores, o aliado feito nas corridas é o MP3 ou ipod. Em Portugal, boa parte
dos atletas treina só. A música é assim uma companhia Movidos com muita música,
as batidas sonoras são mais um incentivo para a corrida. Os atletas que ouvem
música quando correm, conhecem muito bem os efeitos motivacionais que uma boa
seleção pode produzir no seu treino, ajudando inclusive a melhorar a sua
performance.
Existem hoje
estudos que comprovam os benefícios da música no desporto, além de exemplos de
atletas de alto rendimento que fazem uso disso em competições importantes, como
o nadador norte-americano Michael Phelps, que em todas as provas que disputou
nos JO de Pequim, estava lá sempre com o seu iPod.
Michael Phelps
No caso de
Phelps, a música é um estímulo para aumentar a adrenalina à beira da piscina
antes da competição. “Bati o meu primeiro recorde mundial ouvindo música antes.
Naquele dia, percebi que estava diferente na piscina. A música deixou-me
agitado, não pensei em mais nada a não ser em nadar”, afirmou Phelps a uma
televisão norte-americana. O impacto da música associado ao
exercício, pode aumentar até 20% a performance do atleta se a seleção musical
for bem escolhida
Haile Gebrselassie
Outro
exemplo famoso é o do etíope Haile Gebrselassie, que procurava bater o recorde
dos 2.000 metros em pista coberta e descobriu que se corresse ao ritmo da
música Scatman, de John Scatman, tal poderia ajudar a atingir o seu objetivo.
Isso aconteceu há mais de vinte anos quando pouco ou nada se falava a respeito
dos benefícios da música para a performance. Dito e feito. Em Fevereiro de
1988, o atual recordista do mundo da maratona bateu o recorde mundial dos 2.000
metros em pista coberta ao som de Scatman. Quando lhe perguntaram o porquê da
escolha daquela música, Gebreselassie disse que o ritmo é um pouco mais rápido
do que o das suas pernas. “A música motiva-me e faz-me correr mais rápido”.
Paula Radcliffe
A também
recordista mundial da maratona, a inglesa Paula Radcliffe, é também adepta da
música no treino. Segundo ela, o seu uso é muito útil para quebrar a monotonia,
principalmente quando faz exercícios de fortalecimento no ginásio ou mesmo em
atividades indoor de cross-training como bicicleta, elíptica ou máquinas de
ski. Aumento até 20% da performance Um estudo elaborado por Costas
Karageorghis, professor de psicologia da Universidade de Brunel, em Londres,
mostrou que o impacto da música associado ao exercício, pode aumentar até 20% a
performance do atleta se a seleção musical [ar bem escolhida. Segundo o
investigador, “pode ser essa a diferença entre chegar e primeiro ou na quarta
ou quinta posições”.
O desempenho
dos indivíduos que foram avaliados por Karageorghis aumentava quando a música
obedecia a certas características. Para encontrar uma seleção musical, o atleta
deve ter em conta o seu gosto musical. Karageorghis conseguiu estabelecer uma
relação entre os batimentos cardíacos e os da música. Para chegar à “fórmula da
música perfeita” para cada corrida, relacionou-se a frequência cardíaca máxima
a quatro fatores principais que determinam como uma música nos influencia
durante a corrida:
1) Batidas por minuto
O primeiro
desses fatores é o ritmo, fundamental para determinar como responderemos a uma
determinada música. O aspecto fundamental do ritmo é a velocidade de uma
música, que pode ser determinada pelo seu número de batidas por minuto (bpm).
Mas não se pode pensar que quanto mais rápida for a música, mais rápida será a
corrida pois há limites. Num estudo efetuado,verificou-se que as músicas de até
150 bpm beneficiam os atletas. Acima disso, os resultados estabilizam.
2) Melodia e Harmonia
Karageorghis
afirma que músicas motivacionais têm melodias fortes e uma estrutura harmónica
estimulante.
3) Contexto
Os outros
dois factores são chamados de externos pois referem-se à maneira como o ouvinte
interpreta a música. O mais importante deles é o impacto cultural que a música
exerce. Segundo os investigadores, tendemos a responder melhor a músicas com as
quais estamos acostumados porque os seus efeitos positivos foram condicionados.
4) Significado
O segundo
factor externo, chamado de associação extramusical, explica as conexões que
estabelecemos com determinadas músicas. Elas podem não fazer parte do nosso dia
a dia mas têm um significado comum para a
maioria das pessoas. A música precisa de ter um ritmo forte, deve ter entre 120 e 150 batidas por minuto e ser estimulante Deve assim lembrar-se quando pensar na selecção das suas músicas preferidas para o treino seguinte: a música precisa de ter um ritmo fone, deve ter entre 120 e 150 batidas por minuto e ser estimulante. Ela deve também evocar os sentimentos que precisa nesse treino, como animação, garra ou resistência, por exemplo.
maioria das pessoas. A música precisa de ter um ritmo forte, deve ter entre 120 e 150 batidas por minuto e ser estimulante Deve assim lembrar-se quando pensar na selecção das suas músicas preferidas para o treino seguinte: a música precisa de ter um ritmo fone, deve ter entre 120 e 150 batidas por minuto e ser estimulante. Ela deve também evocar os sentimentos que precisa nesse treino, como animação, garra ou resistência, por exemplo.
Sugestões para seleccionar as músicas
do próximo treino
1) A música
deve motivar os sentimentos de que precisa para o treino, seja a tranquilidade
ou não, aquilo que mais quer no momento.
2) Preste
atenção para que a velocidade e o ritmo da música sejam parecidos com o seu
ritmo. Assim, consegue coordenar as suas passadas com as batidas da música.
3) Músicas
com menos batidas por minuto são melhores para corridas leves. Se for para suar
a camisola a sério, prefira aquelas que têm entre 130 e 150 bpm.
4) A batida
da música deve fazer com que tenha vontade de correr.
5) Quanto
mais positiva for a mensagem da letra, melhor.
6) Escolha
músicas familiares aos seus ouvidos, de géneros com os quais se identifica.
Mas correr com “headfones” nos
ouvidos nem sempre é bom.
Distraídas
com a música, a maioria das pessoas não se dá conta dos perigos à sua volta.
Não ouvem a buzina de um carro ou de uma mata ou qualquer outro som que as
possa alerta r. Esse tipo de acidentes acontece normalmente nas vias públicas.
A americana Cheryl Risse por exemplo, foi atropelada por um comboio quando
treinava na Florida.
De acordo
com um jornal local, ela caiu na linha do comboio e não se apercebeu que a
locomotiva estava próxima. Cheryl estava com o seu MP3 ligado e ficou com as
suas duas pernas amputadas. Por essa razão, vários treinadores não gostam que
os seus atletas corram com música. Há mesmo quem pense que a música também
prejudica o desempenho do atleta. Num treino com séries por exemplo, o atleta
tem de se preocupar com coisas mais importantes. Mas quem usa o MP3 diz que a
música ajuda psicologicamente. Numa competição, a música pode distrair e
atrapalhar pois com ela, não prestamos atenção ao ritmo e nas passagens dos
quilómetros. Nos treinos leves e longos, a música acaba por ser um aliado
psicológico.
Ela pode
ainda afastar o cansaço. Embora seja certo e haja muitos exemplos em como a
música bem escolhida interfere de forma positiva na performance do atleta, no
momento de optar por colocar auscultadores nos ouvidos e ligar o som no máximo
volume para correr, há a considerar os prós e os contras.
Os prós:
– A música
tem um poder estimulante e motivacional. Ela ajuda o atleta a ir mais adiante
num treino quando poderia desistir. Exercícios que poderiam ser monótonos,
tornam-se mais estimulantes com o uso da música, já que desvia a atenção da
mente para o som.
– Além de ter um poder motivacional antes e durante o exercício, a música serve também para relaxar a mente. Isso pode acontecer durante exercícios mais leves ou mesmo no aquecimento e no arrefecimento.
– A música coloca diversão na sua rotina de treino, principalmente quando a lista é bem selecionada e combina bem com o seu treino.
– Além de ter um poder motivacional antes e durante o exercício, a música serve também para relaxar a mente. Isso pode acontecer durante exercícios mais leves ou mesmo no aquecimento e no arrefecimento.
– A música coloca diversão na sua rotina de treino, principalmente quando a lista é bem selecionada e combina bem com o seu treino.
Os contras:
Apesar de
ser estimulante e motivacional, é preciso ter cuidado para não desviar a
atenção do movimento e da técnica do exercício. O atleta pode ficar muito
empolgado e sair do ritmo, correndo o risco de se lesionar e treinar fora
daquilo que é a sua capacidade. Quando se está com os auscultadores nos
ouvidos, é preciso ter atenção redobrada com o que acontece no ambiente à sua
volta, principalmente para quem corre na estrada, pois deve ter muito cuidado
com os carros. Deve-se correr sempre na direção contrária dos carros para
poder viabilizar o movimento. Uma pessoa que treine muito com música pode achar
monótono fazer o mesmo treino sem música. Lembre-se de que há provas no
estrangeiro em que não é permitido o uso de auscultadores no ouvido. Por isso,
tenha a certeza de que saberá lidar com isso numa competição.
Karageorghis
sugere ainda que o corredor não escute música em todos os treinos. Segundo ele,
o ideal é deixar o MP3 em casa uma vez por semana. Tal permitirá maximizar os
benefícios da música e permitir que se corra mais livremente. Nos treinos
técnicos como nas séries, a música também pode atrapalhar. A música pode ser
assim um aliado na hora do treino ou da prova. Mas também se pode transformar
em vilão. Cabe ao atleta consciencializar-se e procurar o que é melhor para si,
sempre com cuidado. Do ponto de vista de segurança, ele deve usar o MP3 em
local abrigado, nos parques, nas matas e outros lugares onde não haja trânsito.


Muito útil.
ResponderEliminarA música é importante em grandes alturas da nossa vida!
ResponderEliminarO desporto é mais uma altura onde essa importância se faz notar.
Ouvir musica durante uma corrida...serve-nos de companhia!
Gostei de ler este texto, Bruno! Estou totalmente de acordo :)
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